Cloud8 no Google Next 2019

 

Google Next 2019

Google Next 2019

Participamos do Google Next 2019 – evento sobre a plataforma de Cloud Computing do Google – e gostaríamos de compartilhar as novidades, bem como fazer uma breve análise e comentar sobre o que presenciamos.

O Cloud8 se tornou MultiCloud há mais de um ano, quando passou a suportar também o GCP. Fizemos uma aproximação com o Google e acompanhamos de perto a sua estratégia para alinhar roadmap e trazer sempre mais benefícios para os clientes. O nosso propósito é sempre incluir funcionalidades na linha de análise de custos, automação e segurança que simplifiquem o dia a dia, reduzam custos e fortaleçam a segurança (dos dados e do cloud) com um custo/benefício bem agressivo.

Este trabalho de acompanhamento é feito com o AWS desde 2013. Confira: 2013, 2014201520162017 e 2018.

A idéia desta newsletter é se dedicar à análise e estratégia. Para o canal no Youtube do GCP – https://www.youtube.com/channel/UCJS9pqu9BzkAMNTmzNMNhvg

Disclaimer: os comentários abaixo foram criados pelo Cloud8 e não representam qualquer posição do Google. Também não temos intenção de comparar os serviços de cloud públicos, pois acreditamos que esta comparação é váida somente mediante ao entendimento dos casos de uso técnico e de negócios de cada cliente individualmente. Uma comparação genérica não seria, portanto, justa ou oportuna.

Resumo estratégico

Antes de começar o resumo e a análise, é importante pontuar como é interessante participar da evolução do Cloud Computing. Este é um mercado dinâmico e com competição real, onde os players (principalmente os 3 grandes: AWS, Azure e GCP) ‘brigam’ para valer, sem conluios e acordos, trazendo inovação a um passo extremamente veloz, reduzindo custos e consequentemente trazendo benefício para todos clientes finais. Dito isto, vamos aos fatos 🙂

A abertura do evento foi feita pelo Sundar Pichai, CEO do Google e foi seguida do novo líder da unidade de Cloud Computing, Thomas Kurian. O Thomas é ex-Oracle e veio substituir a Diane Greene há pouco mais de 3 meses. A vinda dele é vista como a confirmação do comprometimento do Google em investir em cloud e enterprise (afinal busca e propaganda ainda representam de longe a maior fatia de faturamento). Conversando com os participantes do evento e Googlers, a vinda dele desperta sentimentos contraditórios dado o conflito de culturas, mas todos concordam que uma injeção de foco comercial e banho de realidade enterprise fará bem. Segundo o próprio Google ainda 80% dos workloads (EUA) rodam fora de Cloud, o que significa oportunidade e não se pode pensar somente no ‘novo’. Fazer o novo no Cloud já é realidade há alguns anos – afinal para que investir em hardware, datacenter, etc se o projeto está começando e o cloud é perfeito para estes casos de uso?. Este ‘legado’ que pode ser migrado precisa de ferramentas e suporte. Neste ponto a visão do Thomas é extremamente bem vinda e a expectativa é o GCP se tornar mais amigável para receber legado, Windows e migrações de outros clouds.

Os cases de clientes apresentados foram praticamente todos enterprise: Colgate & Palmolive, Phillips, Chase, Viacom, McKesson (indústria de saúde), ScotiaBank, Whirlpool, UPS, Salesforce entre outros. Casos de uso com computação, APIs, storage, inteligência artificial.

Outro ponto claro da estratégia é que, quando se fala de enterprise, não se pode esquecer o lado híbrido, isto é, muitas empresas ainda querem ou vão manter infraestrutura interna – não importa o motivo. É fato que há cenários híbridos reais. O Google,para atender, se vale da capacidade do Kubernetes de rodar em qualquer lugar: cloud e localmente. Já haviam anunciado o suporte a datacenter interno no ano passado e este ano fizeram um grande lançamento para suportar os outros clouds – AWS e Azure.

Anthos/Kubernetes: É o novo nome do Cloud Services Platform. Link oficial. Você poderá fazer o deploy da sua aplicação construida em cima de Kubernetes no seu datacenter próprio ou em qualquer um dos três grandes clouds públicos. Vimos algumas apresentações com demonstrações simples, mas efetivas, de containers sendo criados e migrados entre diversas localidades. A aposta do Google é que o Anthos se tornará o novo padrão para criação de aplicações, dado que o Kubernetes já é um padrão na indústria, interoperável e open source. Urs Hölzle, VP de infraestrutura, fez uma analogia com os sistemas UNIX de 20 anos atrás, quando eram vários e com peculiaridades que exigiam adaptações do código fonte. Com o surgimento do Linux e colaboração open source, o sistema operacional do Cloud convergiu para o Linux e hoje ele é o padrão. A expectativa, segundo ele, é que com a mesma filosofia o Anthos se torne o padrão para aplicações.

Durante o evento ainda não ficaram claros todos os pontos do Anthos: custo (o custo no site é alto, mas certamente ficará mais popular), como será a versão open source e a versão que o Google gerenciará, suporte a Windows, integração com clusters Kubernetes já existentes (como integrar com uma aplicação e não somente apps novas?), como ficam os bancos de dados na interoperabilidade, entre outros. O fato é que há um compromisso muito grande em investir. Vale acompanhar o desenrolar.

Open source: O Google demonstra respeito e comprometimento com open source toda vez que fala sobre suas iniciativas. A parceria com a comunidade e retribuição aos projetos se destacam de forma clara e concisa. Foi demonstrada a integração de produtos como ElasticSearch, Redis, MongoDB, Kafka, entre outros, dentro do próprio console do GCP. O Google fará o billing e suporte. Ponto para comunidade e reconhecimento.

AI: Como não poderia faltar, o Google tem um extenso discurso sobre inteligência artificial e machine learning. O mote principal é que IA vai transformar profundamente a sociedade e a maneira como trabalhamos nos próximos anos. A IA tem que ser democratizada para todos, seja cidadão, profissional de negócios ou desenvolvedor técnico. O pioneirismo e a ampla variedade de ferramentas e APIs de AI (visão, natural language, speech, translate, GEO, etc) colocam o Google em uma posição privilegiada. Foi anunciada uma organização melhor de todos os produtos em torno de uma “AI Platform”. Está mais fácil construir modelos (muito investimento em AutoML – ML com feedback automático), testar e consumir qualquer dos serviços – veja mais detalhes técnicos abaixo e um link com os lançamentos.

Segurança: “Security built from start”. “Your data is your data”. Em qualquer cloud segurança deve ser o aspecto mais importante e o Google, por princípio, a coloca em primeiro lugar. Encriptação está em todos os cantos e em todos os componentes ‘parados’ ou sem uso, a encriptação ocorre por padrão. O gerenciamento de identidades e permissionamento (IAM) está evoluindo bastante e funciona entre multiplos projetos. Foi lançado o Cloud Security Command Center para detecção de eventos de segurança e checagem das políticas configuradas (com sugestões), VPC Service Controls, Access Transparency (registro de acessos aos seus dados feitos pelo próprio Google, incluindo o motivo), Apigee securiy reporting, Container registry vulnerability scanning e outros. Sugerimos assistir a palestra CMP200 sobre mais detalhes de como integrar segurança com compliance.

Colaboração: Por conta do G-Suite, o Google aproveita o evento de cloud e compartilha novidades e formas de integrações com a plataforma de cloud, por meio de qualquer device e hardware. Há mais de 1,5 bilhões de usuário de Gmail e 5 milhões de empresas usando a plataforma, então o poder de integração com o GCP é evidente. Data Analytics foi integrado ao Spreedsheets, o calendário ao assistente pessoal, Cloud Search com SAP, SalesForce e Sharepoint dentro da empresa. Ainda foi colocada telefonia no G-Suite e legendas em tempo real quando há uma conferência via Hangouts.

Custos: Tópico importante, mas seguidamente negligenciado para uma segunda fase. Bugs de performance podem se transformar em bugs de custos se deixados por muito tempo, ou remediados com um incremento de infraestrutura. Google demonstrou algumas novidades que ajudam a controlar custos, como uma API para checar se o servidor está bem dimensionado (ainda que em Alpha). Hoje há uma limitação nos dados de custos fornecidos pelo GCP, mas estão evoluindo com a adição de mais informações no BigQuery e formas de se fazer showback e chargeback.

Especialização: O GCP lançou uma solução vertical focada no comércio eletrônico, já que mais e mais lojas estão saindo do AWS dada a concorrência da Amazon.com. Um posicionamento oportuno e que deve trazer muitos clientes.

Acreditamos que o Google passou uma mensagem muito forte quanto ao comprometimento em relação à sua estratégia com Cloud. Desde a contratação de um executivo reconhecido pelo mercado, à real sinalização de suporte à enterprise, bem como workloads mais compatíveis com a realidade das companhias – no lugar apenas de olhar startups usuárias de Linux – vide maior suporte a Windows. Os lançamentos estão bem alinhados com a competição e com o objetivo de simplificar. O investimento em Kubernetes continua forte e o discurso híbrido/multicloud procura ser um diferencial no mercado com um apelo interessante. Vale acompanhar o que virá nos próximos meses e como os competidores irão reagir.

Lançamentos técnicos

  • Anthos e Anthos migrate – como mencionado na sessão de estratégia, o Anthos é a plataforma para criação de aplicações no topo de Kubernetes. O Anthos migrate é uma ferramenta que transforma VMs em containers e segundo o Google, sem uma única modificação requerida;
  • Regiões – mais 2 regiões anunciadas – Salt Lake City e Seul;
  • Compute – novos tipos separando em General Purpose, Memory Optimized e Compute Optimized, como os outros players já faziam – a motivação, entre outras, é que alguns softwares que possuem licenças por CPU precisam retirar todo o poder possível por CPU. VMs com 6TB e 12 TB de memória. Lançamento de ‘Sole Tenant node’, que é um servidor dedicado onde se podem definir qualquer tipo de máquina customizada dentro do número de VCPUs e memória disponíveis. Um recurso de storage location para acomodar imagens e snapshots em uma única região, por conta de requerimentos como GPDR – a ironia é que o recurso de snapshots, que eram globais e facilitavam disaster recovery, teve que ser retrabalhado para acomodar por região. No caso de Windows agora é possível usar BYOL (Bringing your Own License) nos nós dedicados;
  • Kubernetes Marketplace – marketplace de aplicações para Kubernetes em breve se tornará GA;
  • Cloud Data Fusion – conectores para mais de 100 fontes de dados externas ao Big Query. Pode tanto acessar os dados, como ajudar a migrar completamente. Suporta transformações simples e complexas, bem como pipelines gráficos e agendados. A demo pareceu bem simples de usar e poderoso;
  • Cloud SQL – passa a suportar SQL Server gerenciado e será possível importar backups e colocar no Cloud Storage – previsto para o fim do ano;
  • AD Gerenciado – Microsoft AD gerenciado, previsto para o fim do ano;
  • Shielded VMs – um conceito bem interessante de proteger a VM (por enquanto somente Linux) desde o hardware até internamente no sistema operacional. Começa pelo processo de checagem do boot e da BIOS, com um chip específico conhecido no Google por Titan (vTPM) e passa por validações e checagem de binários. Implementa o que se conhece como ‘Confidencial Computing’ para garantir a segurança. Pode habilitar durante a criação de uma VM, não tem custos extras e mudanças de integridade são logadas no Stackdriver;
  • BigQuery BI Engine – análise de dados em memória com expectativa de altíssima performance e integrável com o Data Studio para visualização;
  • Connector sheets – recurso bem interessante e diferencial, que permite integrar uma planilha direto a uma visualização de dados. Ou seja, aquele tradicional passo de exportar a análise para uma planilha (que às vezes nem é possível por conta do tamanho do dataset, milhões de linhas), customizar gráficos, pivot tables e outros, pode ser feito diretamente na análise. Na demo, vimos filtros de colunas e gráficos dinâmicos em cima dos datasets do BigQuery;
  • AutoML tables – novo tipo de coluna que traz a inferência de modelos de ML. Um exemplo, para entender o potencial, é quando inserir um dado em uma tabela e houver uma coluna AutoML (como ‘estimativa”), o BigQuery automaticamente preencherá a coluna rodando o modelo com os dados novos;
  • Recommendation AI – engine de recomendação baseado no histórico de cada usuário/cliente da base e no modelo global. Utilizado dentro da vertical de varejo;
  • Contact Center AI – solução completa de atendimento ao cliente – call center, chatbot, etc. Interessante pelas parcerias (telcos, Salesforce) e possibilidades. Se juntar com a demo de AI interativa que o Sundar fez no Google I/O, pode ficar muito mais poderoso;
  • Document undestanding AI – como o próprio nome diz, se propõe a ‘ler’ um documento e extrair as partes relevantes, estruturar o conteúdo, classificar, etc. Útil para ‘migrar’ conteúdo offline e digitalizar o conhecimento. Há especializações para Invoices, contratos, recursos humanos, documentos médicos;
  • Cloud Functions (Serverless) – suporte a Java 8 e no App Engine suporte a Java 11;
  • Cloud Code – ajuda a escrever, fazer build e debugar código que vai direto para o Kubernetes. Integrável com alguns IDEs;
  • Cloud Run – permite rodar containers de forma simples e rápida, transformando em Serverless desde que responda HTTP e, portanto, suporta qualquer linguagem, binário ou forma feita como serviço. Muito útil para usar em Microservices. Para um quickstart – siga os passos;
  • Cloud Asset Inventory API – permite trazer uma foto da configuração de diversos produtos em qualquer tempo nas últimas 5 semanas. Traz informações até mesmo de acessos que estavam configurados para quais elementos, podendo responder perguntas se tal IAM tinha permissão para acessar um componente. Parece muito promissor para fins de segurança;
  • Tensor Flow 2.0 – nova versão de um dos principais frameworks de AI, simplificou a criação de modelos de ML, com a necessidade de menos linhas de código periféricas, integração com Keras, mais velocidade, nova documentação e ecossistema expandido. O anúncio das TPUs versão 3 casa a estratégia de hardware e software;
  • Cálculo do PI – e não poderiam deixar de mostrar uma sessão exclusiva sobre o cálculo de 31.4 quatrilhões de casas decimais 🙂
  • Ice cold storage – nova classe de storage com preços ainda mais agressivos.

Enfim, novas oportunidades foram criadas e mais desafios para o dia-a-dia de todos.

Contem com o Cloud8 para ajudá-los neste ônus administrativo, gestão de custos e automação, bem como tirar vantagem da atualização constante da nossa plataforma! Há muitas funcionalidades que podemos e iremos implementar no futuro próximo para ajudar a tirar o máximo proveito das novas funcionalidades.

Fique à vontade para compartilhar este email! Dúvidas, críticas ou sugestões, entre em contato.

Obrigado
Renato Weiner
CIO/Founder

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